“Recovery” marca o regresso de Eminem aos álbuns e ao topo das tabelas de vendas. O rapper norte-americano volta, um ano depois, de cara lavada e tem já o disco mais vendido do ano nos Estados Unidos.

O novo álbum tem a marca de Eminem, a imagem que defende, o som e as características que lhe são indissociáveis mas mostra também uma nova faceta do artista.
Estava previsto que este novo disco fosse a continuação do de 2009 (“Relapse”) tendo sido até avançado que se iria chamar “Relapse 2”. No entanto, Eminem deixou essa ideia de lado por ter achado que a sonoridade mudou tanto de um para o outro que deixava de fazer sentido a ideia de sequela.
Com temas mais melódicos e mais populares, “Recovery” passa a ideia de que o músico de Detroit se apercebeu de que o rap e o hip-hop precisam de ser reinventados para continuarem a ter sucesso. E fê-lo bem. Independentemente de se gostar ou não do estilo, é fácil ouvir o CD do início ao fim. As músicas diferem umas das outras, não sendo a esse nível maçador e o álbum tem uma grande vantagem a seu favor: as parcerias e participações especiais. As vozes femininas de Pink, de Rihanna (que na música Love the Way You Lie, associa a suavidade da sua voz à dureza do tema, contrastando com as palavras de Eminem) e de Lil Wayne ou ainda o contributo de Kobe fazem do disco um trabalho mais heterogéneo, conseguindo por vezes fugir ao rap puro (agora um pouco em desuso) e fazendo com que o trabalho chegue a um público mais vasto. Uma escolha inteligente, à imagem do que já tinha feito com Dido ou Elton John, numa altura em que a realidade mundial está menos desperta para estes estilos mais urbanos dos Estados Unidos. É talvez um dos trabalhos mais comerciais de Eminem.
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Também a variedade instrumental/sonora de alguns temas é importante para essa renovação musical, como acontece em Going Through Changes. Ainda assim, as suas raízes não são perdidas e estão bem presentes em faixas como Seduction.
Os temas continuam a ser os mesmos que marcam a carreira de Eminem e que são normalmente abordados pelos artistas urbanos mas com algumas surpresas. As dificuldades da vida, as existências infelizes e duras, de quem cresceu em ambientes complicados, os problemas sociais e pessoais e até a condição de ser “famoso”, com Almost Famous, dominam o álbum. No entanto, as guerras com a mãe do artista deixam de fazer parte do seu reportório.
Também a perda está muito presente em “Recovery”. Lembre-se que Eminem perdeu um grande amigo, o rapper Proof, a quem dedica a canção You’re Never Over.
“Recovery” recupera os lugares de top a que Eminem está habituado a ocupar e a força e sucesso que tem pautado a carreira do artista, lembrando o caso de “Marshall Mathers” (do mesmo artista), de 2000, que é ainda hoje o álbum rap mais vendido de sempre. Este disco afasta-se dos trabalhos mais recentes, aproximando-se dos primeiros álbuns a solo. Trata-se também do chegar mais perto da maturidade, num Eminem que se apresenta quase com 40 anos.
Mas, acima de tudo, “Recovery” é o assumir de um problema – o da dependência das drogas – e uma espécie de compromisso para consigo e para com os fãs, o da vontade de recuperar. Para já, fica a intenção.