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Review: Aliens, revivalismos e ruídos no novo álbum dos Chemical Brothers

 
29.06.2010 - 05:06

Vindo directamente do espaço chega-nos, à velocidade da luz, o novo álbum dos Chemical Brothers. “Further” tem apenas oito músicas que valem pelo dobro. Sem demonstrar um pouco de cansaço a dupla de música electrónica lança o seu sétimo álbum de estúdio que promete ultrapassar os procedentes “We Are The Night” e “Push The Button”.

Além do disco, esta nova edição dos Chemical Brothers traz um DVD com um videoclip que pretende transmitir visualmente o que significa cada música. Um elemento totalmente desnecessário, uma vez que conseguimos visualizar uma galáxia completamente diferente através das músicas, algo que não o fazemos enquanto assistimos ao DVD, repleto de construções gráficas, com um ou outro elemento humano a aparecer no filme, mas nada de muito relevante.

Centrando-nos na música, que é o mais importante, percebemos logo na primeira faixa, porque não vale a pena assistir ao vídeo. Snow começa com um barulho irritante, idêntico ao de uma interferência de um telefone com um rádio, misturado com o barulho de um modem. Uma espécie de “transmissão de um código Morse alienígena”, como descrevem os próprios Chemical Brothers.

O ruído ensurdecedor é quebrado, apenas, pela voz de Stephanie Dosen, relembrando-nos o tema Close your Eyes do álbum “Push The Button”. Os acordes de baixo e os sintetizadores que se juntam às vozes ajudam a digerir a música, fazendo com que nem nos apercebamos que o ruído continua lá. Chemical Brothers provam que também o ruído pode ser musical. Contudo, só os Chemical Brothers nos conseguem pôr a ouvir um minuto de ruído, sem desligar imediatamente a música.

A passagem de Snow para Escape Velocity faz-se ao modo de um DJ Set, interligando uma música à outra, como se fossem a mesma. Escape Velocity começa com aquilo que parece ser um arrancar de uma nave espacial, que se prepara para viajar. Dito de outra forma, é um som cada vez mais forte que rebenta em batidas frenéticas às quais são adicionadas guitarras eléctricas descontroladas e sintetizadores levados ao máximo. No final desta canção os sintetizadores relembram o início da música Teenage Waistland, do The Who e à medida que a “velocidade se escapa” esses acordes parecem reduzidos a sons do videojogo Super Mário.

Antes de avançar para o tema seguinte ouve-se a frase: “Well, that was some experience. Now just let adjust the spacial controls, we’ll move to another observation point”. Esta foi retirada do álbum “Forest J Ackerman presents Music For Robots”, de Frank Coe, baseado no famoso escritor de ficção científica, Forrest J Ackerman. Tom Rowlands e Ed Simons não podiam ter escolhido melhor referência.

Seguimos viagem para outro planeta com o tema Another World. Ruídos mais calmos, mas nem por isso menos dançáveis, isto porque dançar é a palavra de ordem deste disco. Another World é uma música cantada com uma voz feminina, um tanto ou quanto andrógina, a relembrar habitantes de outras galáxias. Ouvem-se ruídos que parecem gritos de seres marítimos distorcidos, batidas profundas como se fossem o pulsar do coração do planeta. Se os Chemical Brothers vivessem noutro mundo com certeza seria este que é tocado pela dupla.

Além de sonoridades intergalácticas “Further” traz também reminiscências de um rock n’ roll electrónico, onde se destaca a bateria que não podia ter um estilo mais rockabilly e menos ao estilo da dupla inglesa. No entanto, o electro rock misturado com o big beat, próprio de Tom e Ed, não lhes podia assentar melhor.

Não se entusiasmem os fãs do rock n’ roll, pois os Chemical Brothers continuam fieis à mesa de mistura. Horse Power começa com o som de tambores e jambés, algo que é cortado por um ruído electrizante a relembrar um pouco o electro trash. O nome da música advém de um sample de um relinchar de cavalos presente em alguns momentos da música. A agressividade sonora do tema serve para mostrar como estes animais são poderosos.

Swoon começa com o que parece ser um típico hit de dança, com os habituais vocais e efeitos sonoros, mas depressa surpreende com uma batida semelhante à que se utilizava na música de dança do início dos anos 90.

K+D+B surge completamente fora do cardápio deste disco. A começar com baterias ao estilo de um concerto dos Stomp, eis que surgem ruídos melódicos e canto. Provavelmente, esta é a música mais simples de todo o disco, mas também será aquela com menos sucesso, pois numa civilização como a actual, gosta-se do complicado e do complexo.

A encerrar o álbum surge outra música com sonoridades rock, através da guitarra acústica, mas sempre com o cunho dos “irmãos químicos”, através dos vocais distorcidos e dos sintetizadores. Wonders Of The Deep finaliza uma viagem pelo universo.

Aliens, revivalismos da década de 90, ruídos: uma mistura explosiva que coloca os Chemical Brothers um passo à frente de todos nós. Uma viagem não só pelo espaço, mas também pelos diferentes estilos musicais., que mostra que os dois músicos conseguem sempre ultrapassar-se a eles prórpios.

Um álbum explosivo, perante o qual ninguém consegue ficar parado. Desaconselhado a doentes cardíacos e, claro, a quem não apreciar música electrónica.

Melanie Antunes

 
 
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