Batidas de hip-hop, sonoridades r&b, solos de guitarra, vozes típicas do reggae… diversidade é a palavra de ordem para classificar o novo álbum do alemão Gentleman. Lançado no passado dia 17, “Diversity” mostra um Gentleman muito mais desprendido do reggae, género musical pelo qual o músico regeu os seus trabalhos anteriores.

Até hoje, Gentleman não tinha ainda saído do seu registo, sendo os seus álbuns anteriores muito similares, o que não impediu que tivesse temas de sucesso como Superior e Serenity, retirados de álbuns diferentes. Este seu quinto álbum de estúdio é, na sua maior parte, pautado por pianos melódicos e vozes em coro, mas sem deixar de lado a verdadeira essência do artista, que é o reggae.
A diversidade do álbum é audível, desde logo, no single It No Pretty, onde de imediato se destaca o piano e a batida r&b. Esta é uma música que podia perfeitamente ter sido composta por artistas como Alicia Keys, com a letra adaptada à respectiva voz. É, de facto, o instrumento vocal que define as músicas deste álbum como sendo de Gentleman. Caso contrário, músicas como I Got to Go seriam identificadas como uma balada de uma banda de rock, isto devido aos solos de guitarra presentes na melodia, que apenas se distinguem do género pop/rock quando surgem a batida de r&b e a voz de Gentleman.
O artista, que reside entre Colónia (Alemanha) e Jamaica, vai mais longe na sua busca pela variedade ao incluir temas como To The Top, que roça o género euro dance. Esta canção, que conta com a participação de Christopher Martin, tem partes que chegam a recordar as músicas mais dançáveis de Justin Timberlake.
À medida que o álbum percorre as 19 faixas, as músicas vão ficando mais reagge, deixando de lado as sonoridades de hip-hop audíveis, por exemplo, nas canções The Finish Lin e Old On Strong. Talvez por opção do intérprete, os temas que mais relembram os seus projectos anteriores foram deixados para o final (Along the Way, que contou a participação de Patrice, Good Old Times, etc.).
Apesar de, pela primeira vez, Gentleman envergar por géneros alheios ao reggae, este acaba sempre por se destacar devido à voz do artista, que não se consegue separar deste estilo. “Diversity” poderia ser mais arrojado e ter levado mais o seu nome mais à letra, o que, por um lado, seria muito mais arriscado. Deste modo, Gentleman reinventa-se um pouco, surpreendendo os fãs que começavam a ficar saturados, e continua a ir de encontro às exigências do público fiel às origens musicais do cantor.