Cantor, compositor e guitarrista, o brasileiro Grecco Buratto, que reside há mais de 10 anos na Califórnia, estará se apresentando com Airto Moreira e Flora Purim na primeira semana de Setembro na Bahia e no Rio de Janeiro.

Os primeiros contatos com a música foram aos oito anos de idade, bastante decidido do que queria com 18 anos foi morar nos EUA. Desde então já participou de shows e gravações com inúmeros artistas.
Atualmente tem realizado apresentações em palcos ao redor do mundo incluindo Londres, Tóquio (com o pintor e artista plástico S.U.S.H.), Paris e mais recentemente em Nova Iorque no Carnegie Hall com a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade. Grecco participou também do Festival de Música Independente South By Southwest na cidade de Austin - Texas, e também acompanha a cantora canadense K.D. Lang.
O seu primeiro disco solo já tem data de lançamento marcada para Dezembro de 2009. Terá a participação de renomados produtores tais como Marconi de Morais, Sandro Feliciano e o engenheiro ganhador de 8 Grammy’s Benny Faccone. As sessões de estúdio foram realizadas em Los Angeles, Nova Iorque e Paris.
Conversamos por e-mail com ele antes de sair de casa para a próxima tour no Brasil. Ele nos contou detalhes exclusivos e ainda deu uma exclusiva lição em vídeo com dicas de execução na hora de gravar um bom violão de aço.
Palco Principal - Você mudou para os USA muito jovem, com apenas 18 anos de idade, e desde então tem sido um dos guitarristas brasileiros mais requisitados por lá. Era essa a sua expectativa ao se mudar de nosso país?
Grecco Buratto - Desde os 12 anos tinha um sonho de morar aqui. Sabia que era isso que queria fazer. Então de repente eu posso dizer que sim, tinha a expectativa de suceder aqui, mas ela não era baseada em nenhum plano ou meta traçada.
PP - Em seu currículo há participações gravando com artistas de renome mundial como Pink, Macy Gray, Dionne Warwick, Cristina Aguilera, George Duke, Earth, Wind & Fire, como elas surgiram? Quais as coisas mais importantes numa situação destas?
GB - Essas oportunidades surgiram porque eu trabalhei bastante gravando demos para inúmeros produtores e compositores. O círculo se torna pequeno em certo momento. Todos se conhecem e através de recomendações pintaram os convites. Acho que o mais importante em situações desse tipo é o profissionalismo, o respeito pelos artistas para quem se está trabalhando e também pela sua arte. Baseado nisso fazer o melhor trabalho que se possa fazer em nome da música. Costuma-se dizer aqui: "Ao entrar pendure seu ego na porta".
PP - E as principais dicas dentro do estúdio para tirar um bom som de guitarra?
GB - Estar aberto a escutar o que a música pede. Prestar atenção no espectro sonoro e tentar preencher os espaços que precisam ser preenchidos. Às vezes pode não ser o seu som preferido, mas é o som perfeito para determinada canção então para mim, isso tem mais valor.

PP - E sobre os seus equipamentos preferidos?
GB - Gosto muito das minhas guitarras First Act. Gravei faz pouco tempo com um Vox AC-15 e tinha um som lindo. Gosto de Gibson SG. Mas essa semana mesmo fiz um show, o som que precisava era de uma Fender Strato ... Portanto não tenho "OS" preferidos.
PP - E sobre suas tours internacionais com Enrique Iglesias, Anastácia, Andrea Bocelli, Mandy Moore, Sergio Mendes, Airto Moreira e Flora Purim, como é tocar com artistas deste nível?
GB - São experiências incríveis! Fazem parte de um sonho realizado. Mas é um trabalho, existem responsabilidades, exigências e também recompensas. Difícil de explicar em poucas linhas...
PP - Atualmente você faz parte da banda de Airto Moreira & Flora Purim e estará vindo ao Brasil, como foram os preparativos? Quanto tempo vocês ensaiaram? O que vocês vão apresentar?
GB - Trabalho com Airto e Flora desde 2005. Teremos três ensaios, dois em L.A. e um em Salvador o que é bastante para nossos padrões. Lembro-me do primeiro show que fiz onde tocamos para 7 mil pessoas na Polônia e não ensaiamos... O repertório que tocaremos tem uma mistura de músicas mais antigas do trabalho deles e coisas novas feitas com a banda Eyedentity que é formada por Krishna e Diana Booker (filha e genro de Airto e Flora). Nas músicas mais recentes existem influências de Hip-Hop, Beatbox (bateria feita com a boca) no qual Krishna é um dos melhores que conheço. E também algo de rock, que é onde eu me encaixo.
PP - Seu primeiro CD solo vai sair ao final deste ano e neste você se revela como um bom compositor pop. Queríamos saber sobre esse projeto...
GB - Acho que meu CD é a continuação natural na minha jornada. Acho que preenche o espaço de pela primeira vez mostrar o que eu tenho pra dizer, da minha maneira. É a identidade artística que vim a conhecer e desenvolver durante esses anos todos trabalhando com musica. E ao mesmo tempo é o meu retorno a um lado mais puro da arte. De fazer arte pra fazer arte.

PP - Recentemente você participou de uma apresentação no Carnegie Hall com a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, como foi à reação do público tocando com uma cantora de língua portuguesa?
GB - Ela foi muito bem recebida! Além de ser uma excelente artista e intérprete, existe o fato de Nova Iorque ser uma capital mundial e estar aberta a diversas culturas, ritmos e idiomas.
PP - Você também compôs musica para seriados de TV (Dawson’s Creek, Jack and Bobby, Everwood and Brothers and Sisters) e gravou trilhas sonoras para cinema (Miami Vice, RV, Woman On Top). Gostaríamos de saber mais como um guitarrista faz esse tipo de trabalho?
GB - Volto ao que falei em uma das primeiras perguntas: fazer o melhor que se possa em toda a situação porque você nunca sabe quem esta te vendo ou escutando. Na minha experiência um trabalho sempre te leva ao próximo, portanto é importante manter uma atitude profissional-artística e artístico-profissional sempre.
PP - Deixe a sua palavra final ao Palco Principal Brasil...
GB - Agradeço a todos pelo tempo de ter lido a entrevista e encorajo a todos e seguirem seus sonhos por mais difícil que eles possam parecer. Se o sonho existe ele é possível.
Visitem: http://palcoprincipal.uol.com.br/grecco_buratto